Ela acordou. A meio passo do incerto ficou na dúvida. Uma dúvida inalcançável. Uma dúvida de dor. E ao acordar, com a ajuda das pálpebras pesadas, olhou o movimento do mundo pela janela. Uma criança acenou com olhos de pureza - aqueles olhos que ficaram presos ao passado - a única coisa que restava daquela criança eram os ataques de distração, mas os motivos não eram os mesmos.
Ela fitava a criança. Procura-se na criança e procurava a criança em si. Busca inalcançável. Assim como a dúvida. Respondeu ao aceno da criança balançando a mão esquerda enquanto a direita lhe devolvia seus sentidos e em um movimento brusco fechou as janelas.
Aquele dia tinha tudo pra ser perfeito. O mais perfeito de todos. A noite tinha sido maravilhosa. Dormiu com um dos homens que sabia como lhe fazer bem. Mas pouco importava a noite, diante do nada acontecido. Da cabeça vazia que, como uma bomba de ar, se enchia e esvaziava em movimentos imperceptíveis.
Ela, que se queixava por nunca ser notada, dessa vez foi notada por ela mesma, talvez. Sentou-se na lateral de sua cama, pressionando o corpo a toda extensão da cama em um movimento brusco na tentativa de reencontrar dentro de si aquele ser que movimentou a mão e mostrou um sorriso no início do dia. Uniu um sorriso de remoros, agarrou-se à segunda gaveta que se encontrava ao lado de sua cama e arrastou de lá uma "ajudinha" de retorno.
Pegou o CPF na bolsa, jogou os farelos brancos sobre este e fez o serviço. "Ajudou-se!" Relembrou sua vida antes das "ajudas" e percebeu que não voltaria a viver como antes. "Ajudou-se" como ninguém e se lançou em uma gargalhada grave. Destratou o amor, e tornou a viver.
Dormiu até nunca mais!
Lá em baixo, a mãe da criança perguntou à menina pra quem ela dava tchau.
- Eu não sei, mamãe! E a senhora?

1 comentários:
texto seu ?
MARAVILHOSO !
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