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terça-feira, 20 de julho de 2010

Engoma

   Gestos relativamente simples e persistentes - com o auxílio de um instrumento literalmente quente - amansam a fera que está amassada. A massa amassada está fora do padrão. É necessário que o instrumento utilizado realmente sirva. A massa precisa ficar lisa; ela não pode deixar rastros de vontade própria. "Oh, massa imperceptível, você não possui vontades! Em ti eu mando! Por mim você é manipulada!" E é dessa maneira que, aos poucos, a massa vai aceitando o que lhe é imposto. A falsa - ou forjada - noção de beleza é assim: tudo liso! Segundo às vontades de quem manuseia o instrumento de temperaturas altas.
   E, finalmente, chega o momento em que a massa encontra-se em um estado de extrema perfeição. E este estado é preocupante, mesmo que não haja preocupação, já que o ápice não permite que a massa se manifeste, se desamasse ou se preocupe. E eu, encontro-me exilada da massa. Ocasionando a intranquilidade. O instrumento me desamassará! O instrumento me colocará nos eixos!
   E aquele amontoado de roupas, ou massa, estará completamente perfeito.
   Eu, vestido de tafetá, não posso me igualar à massa esticada. Mas é triste saber que o instrumento quente, o ferro de passar, jamais entenderá isso!

1 comentários:

Suzy Carvalho disse...

legal o post :D

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