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terça-feira, 23 de março de 2010

É puta ou não é?

   "Mããe! Mulher que fala muito naquele negócio é prostituta?"
    Foi esta pergunta que fiz à minha amada mãe quando eu tinha uns 12 anos. E hoje retorno a fazê-la ao mundo. Será que só porque uma mulher faz (e, principalmente fala que faz) muito sexo e gosta é puta?
   Eu não faço questão de deixar claro que não sou assim; mas não sou (RISOS). O que me incomoda é a forma que uma mulher sincera com relação a estas coisas é vista. Geralmente, os maridos preferem que suas esposas fiquem longe de mulheres com estes comportamentos; e mulheres exigem que seus esposos nunca, jamais, em hipótese alguma mantenham contato com "esse tipo de mulher".
   Ouço muitas feministas falarem que a revolução feminina é uma vitória, que conseguiram muitas coisas e que, quando o assunto é o sistema, vão sempre de encontro. Mas estas são as primeiras - em sua maioria - a fazer questão de esconder o que há de mais reprimido pelo tal: o SEXO.
   Todo mundo acha lindo uma cantora politicamente correta falar sobre ou descrever uma relação sexual em suas letras. No entanto, quando as coisas saem do plano midiático e passam à realidade, a situação muda: "isso é uma puuuutaa!" Já vi muita gente encher a boca pra falar isso.
   Mas não seria hipocrisia esconder o que é feito por (quase) todo mundo?
   O que eu critico aqui não é a timidez de algumas mulheres à frente de um tema relativamente delicado, mas sim, a ditadura machista que ainda reina na nossa sociedade. "Homens só pensam naquilo". Esta frase é vista como a coisa mais linda por pessoas de todos os sexos que compõem as camadas sociais. Por que, então, que pessoas do sexo oposto não podem relatar suas vivências com a mesma frequência que os homens? Direitos iguais? Então não é aconselhável que se tire falsas conclusões de fluxos éticos incomuns entre mulheres.

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